Fraude no concurso Alerj 2026: duas investigações
Polícia Civil apura uso de equipamentos eletrônicos na prova, enquanto o Ministério Público investiga possível favorecimento a uma candidata.
O concurso Alerj 2026 é alvo de duas investigações sobre suspeitas de fraude e possível favorecimento. O edital ofereceu 101 vagas de níveis médio e superior, com remuneração inicial de até R$ 44.008,52. As provas ocorreram em fevereiro e março de 2026; não há novo prazo de inscrição informado.
Ficha do concurso
- Órgão: Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Alerj.
- Banca: Fundação Getulio Vargas, FGV.
- Edital: publicado em outubro de 2025.
- Oferta: 101 vagas para cargos de níveis médio e superior.
- Especialista legislativo: 98 vagas, além de cadastro de reserva.
- Procurador legislativo: três vagas.
- Remuneração inicial: R$ 10.369,60 para especialista legislativo III, R$ 12.591,66 para especialista legislativo IV e até R$ 44.008,52 para procurador.
- Provas: realizadas em 8 de fevereiro de 2026, com discursiva de procurador em 22 de março de 2026.
- Inscrições: nenhum novo prazo informado.
- Notícia atual: duas investigações sobre suspeitas de irregularidades no concurso público.
O que está sob investigação no concurso Alerj 2026
As apurações envolvem dois episódios distintos. A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o uso de equipamentos eletrônicos durante a prova de especialista legislativo. Já o Ministério Público do Rio de Janeiro apura uma denúncia de possível acesso a informações privilegiadas por uma candidata ao cargo de procurador legislativo.
Essa distinção é importante para acompanhar o caso. A primeira investigação começou com uma prisão em flagrante no local de aplicação do exame. A segunda trata de suspeita de favorecimento e tramita sob sigilo, sem divulgação dos elementos que motivaram o procedimento ou de eventual conclusão.
As informações disponíveis não apresentam uma conclusão geral sobre a validade do concurso público. Também não informam decisão de anulação das provas, suspensão do certame ou novo calendário. Portanto, a existência das investigações não deve ser apresentada ao candidato como anúncio de qualquer uma dessas medidas.
Prisão e perícia na apuração da Polícia Civil
A investigação policial começou após Alexandre Campos Oliveira ser preso em flagrante durante a aplicação das provas, em 8 de fevereiro de 2026. O episódio ocorreu na Unisuam, em Bonsucesso, na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde ele prestava o exame para especialista legislativo.
De acordo com a apuração policial, o candidato tentava fotografar a prova com um celular. Também foram encontrados um ponto eletrônico e óculos adaptados com um chip, equipamentos que poderiam ser utilizados para registrar imagens.
A investigação relata ainda que, ao ser abordado, ele tentou rasgar um papel com orientações sobre o manuseio dos equipamentos. O candidato também teria tentado engolir um saco plástico que continha o ponto eletrônico.
Alexandre foi solto dois dias depois da prisão, em audiência de custódia. Posteriormente, o Ministério Público pediu sua prisão preventiva, e a Justiça acolheu o pedido. Ele voltou a ser preso em 15 de setembro, em ação da 11ª Delegacia de Polícia.
O candidato foi denunciado por fraude em concurso de interesse público, crime cuja pena informada é de um a quatro anos de prisão. A Polícia Civil ainda aguarda o resultado da perícia no celular para verificar possíveis indícios de participação de outras pessoas ou de uma estrutura maior de fraude em âmbito nacional. Essa possibilidade permanece sob investigação.
Ministério Público apura possível favorecimento
A outra investigação foi instaurada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 23 de julho. O procedimento apura se uma candidata teria recebido informações privilegiadas relacionadas ao concurso da Assembleia Legislativa.
A participante já trabalhava na Alerj em cargo comissionado, como chefe de gabinete do diretor-geral da Casa. No concurso público, concorreu ao cargo de procurador legislativo, cuja remuneração inicial supera R$ 40 mil.
O Ministério Público solicitou esclarecimentos à Assembleia e à Fundação Getulio Vargas, responsável pela organização do certame. Como o procedimento está sob sigilo, não foram divulgados detalhes sobre os elementos que deram origem à investigação nem sobre eventual conclusão.
A Alerj afirmou que apresentou todas as informações solicitadas pelo Ministério Público. A Casa também informou que a servidora mencionada na apuração foi exonerada em março de 2026. Não há informação que permita atribuir à exoneração uma causa específica relacionada ao procedimento investigativo.
Vagas e salários para especialista legislativo
O edital publicado em outubro de 2025 reuniu 101 vagas. Desse total, 98 foram destinadas ao cargo de especialista legislativo, além da formação de cadastro de reserva. As oportunidades abrangem níveis médio e superior, com valores iniciais diferentes para cada cargo.
Para quem tem nível médio, a oferta foi de 20 vagas de especialista legislativo III, na especialidade Administração Geral. A remuneração inicial informada é de R$ 10.369,60.
No nível superior, as oportunidades foram para especialista legislativo IV, com remuneração inicial de R$ 12.591,66. As especialidades apresentadas foram:
- Assistente Social.
- Enfermagem.
- Medicina.
- Controle Interno e Auditoria.
- Relações Públicas.
- Comunicação Social.
- Elaboração Legislativa.
- Recursos Humanos.
- Orçamento e Finanças.
- Administração Geral.
A distribuição das vagas de nível superior entre essas especialidades não foi detalhada nas informações disponíveis. Também não foram apresentados os requisitos específicos de formação de cada área. Por isso, a relação de especialidades não permite concluir que qualquer diploma superior atende a todos os postos.
Requisitos para procurador legislativo
As outras três vagas do concurso foram destinadas ao cargo de procurador legislativo. Nesse caso, a remuneração inicial pode chegar a R$ 44.008,52, o maior valor informado entre os cargos contemplados pelo edital.
Os requisitos apresentados são nível superior em Direito, registro na Ordem dos Advogados do Brasil, OAB, e três anos de atividade jurídica. São exigências específicas da carreira, que precisam ser consideradas em conjunto por quem acompanha oportunidades para procuradorias.
O valor de até R$ 44.008,52 se refere, portanto, ao cargo de procurador. Ele não corresponde ao salário inicial das vagas de especialista legislativo de nível médio ou superior. Manter essa diferença clara ajuda o candidato a comparar corretamente escolaridade, requisitos e remuneração de cada opção.
Como foram as provas aplicadas pela FGV
As avaliações já foram realizadas. A Fundação Getulio Vargas aplicou as provas em 8 de fevereiro de 2026, com formatos diferentes conforme o cargo e o nível de escolaridade:
- Especialista de nível médio: avaliação composta apenas por questões objetivas.
- Especialista de nível superior: avaliação com questões objetivas e discursivas.
- Procurador legislativo: prova objetiva em 8 de fevereiro de 2026 e prova discursiva em 22 de março de 2026.
As datas descrevem avaliações já aplicadas, não uma convocação para novas provas. As informações disponíveis não apresentam uma data futura de reaplicação, resultado final ou homologação. Também não indicam novo período de inscrições vinculado às investigações.
O que cai na prova
O conteúdo programático não foi detalhado nas informações disponíveis. Foram apresentados os formatos das avaliações, mas não a relação de disciplinas, os tópicos exigidos ou a quantidade de questões por matéria.
Assim, não há base para afirmar que o edital cobrou Ética no Serviço Público, Direito Administrativo, Estatuto dos Servidores, Legislação Institucional, Regimento Interno ou Lei Orgânica. A ausência dessa lista na notícia também não significa que essas matérias estejam ausentes do edital.
Para organizar os estudos, o ponto de partida é conferir o conteúdo do cargo e da especialidade escolhidos no edital. A notícia sobre as investigações não substitui essa consulta nem informa alteração do programa de provas. O cuidado central é separar o acompanhamento das apurações das exigências efetivamente previstas para cada carreira.
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Por que o concurso Alerj 2026 está sendo investigado?
A Polícia Civil apura uso de equipamentos eletrônicos durante a prova. O Ministério Público investiga possível favorecimento a uma candidata a procurador legislativo.
O concurso Alerj foi anulado?
As informações disponíveis não indicam decisão de anulação das provas ou suspensão do concurso. Há duas investigações sobre suspeitas de irregularidades.
Quantas vagas foram oferecidas no concurso Alerj?
O edital ofereceu 101 vagas: 98 para especialista legislativo, além de cadastro de reserva, e três para procurador legislativo.
Qual é o salário de nível médio no concurso Alerj?
O salário inicial informado para especialista legislativo III, na especialidade Administração Geral, é de R$ 10.369,60. Foram oferecidas 20 vagas.
Quando foram realizadas as provas do concurso Alerj?
As provas ocorreram em 8 de fevereiro de 2026. Para procurador legislativo, a avaliação discursiva foi aplicada em 22 de março de 2026.
Folha Dirigida (QConcursos): Concurso Alerj: polícia e MP investigam suspeitas de fraude, consultado em 26 de setembro de 2026.
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